Lúcia Silva
Poesia ou contos? Eu transformo Conto em Poesia
Meu Diário
21/11/2021 13h58
Quilombo do Livramento

QUILOMBO DO LIVRAMENTO (REEDITADO)



 



 



DE MUITOS CAUSOS CONTADOS



QUE COMPÕE A NOSSA HISTÓRIA



DA FORMAÇÃO DO QUILOMBO



SEU POVO, SUA MEMÓRIA



CONTO AQUI CAUSOS REAIS



DE LUTAS E MUITOS AIS



DENTRO DA NOSSA VITÓRIA



 



O QUILOMBO DO LIVRAMENTO



ENTRE TRIUNFO E PRINCESA



BEM LÁ NO ALTO DA SERRA



ESCULPINDO A NATUREZA



E ALGUNS SÉCULOS DE GLORIA



DENOTAM ESSA HISTÓRIA



REVELANDO A GRANDEZA.



 



ANTES DE SÉCULOS PASSADOS



SEGUINDO TRLHA SEM DESTINO



VEIO HOMEM E MULHER



TAMBEM MOÇA E MENINO



NAQUELE MESMO EMBALO



GENTE DA FAMÍLIA PAULO



FAMA PATRÍCIO E FELISMINO.



 



 



 



 



 



O CHAMADO PRECONCEITO



RACISMO E ESCRAVIDÃO



FIZERA UM NEGRO POVO



SOFRER A PERSEGUIÇÃO



SEM DIZER DE ONDE FUGIDO



SOBREVIVENDO ESCONDIDO



VISANDO LIBERTAÇÃO.



 



POR AQUI SÓ EXISTIA



IMENSA MATA FECHADA



BEM LONGE DE CURIOSOS



FOI POR NEGROS DESBRAVADA



CADA PEDRA QUE HAVIA



COM ARQUITETA MAESTRIA



FIZEMOS A  NOSSA MORADA.



 



E SE ALGUÉM INDAGASSE



DIZÍAMOS VIMOS DO VENTO



E NO TOPO DESSA SERRA



ALIVIAR O TORMENTO



RECOMEÇAR OUTRA VIDA



AINDA INCERTA GUARIDA



ENCONTRA UM LIVRAMENTO.



 



VIEMOS LA DO CEARÁ



PERNAMBUCO E ALAGOAS



NO ALTO DA BORBOREMA



ENCONTRAMOS UMA COROA



BEM DISTANTE DO TORMENTO



AQUI TEM NOVO ALENTO



E UMA LIBERDADE BOA.



POIS AQUI NESTA NAÇÇÃO



SEM NIGUEM PARA PERTURBAR



DAÍ A NOTÍCIA CORREU



E OUTROS VIERAM PRA CÁ



DE TODA A REGIÃO



LÁ CATIVOS, AQUI NÃO



DO OPRESSOR SE LIVRAR.



 



CULTURA E RELIGIÃO



VEIO NA BAGAGEM PRA CÁ



TAMBEM O MEDO E O SILÊNCIO



PARA PODER OCULTAR



ALGUM FATO OU VERTIGEM



DO PASSADO E ORIGEM



PARA NINGUÉM NOS ENCONTRAR.



 



VIVENDO UM SECULO ISOLADO



BEM LONGE DA ESCRAVIDÃO



NESTE LIUGAR SEGURO



BEM ANTES DA ABOLIÇÃO



QUANDO A LEI AUREA CHEGOU



NINGUÉM AQUI SE ALEGROU



JA HAVIA LIBERTAÇÃO.



 



TEMENDO PERSEGUIÇÃO



ASSIMI ERA A MORADIA:



UMAS CASINHAS DE PEDRA



SEM TER PORTA NA COZINHA



PARA ESSA ESCURIDÃO



ENGENHOSA ARTICULAÇÃO



CONFUNDI QUEM PERSEGUIA.



FEITAS DE PEDAÇO DE ROCHA



OBRA PRIMA DO LUGAR



SEM PRUMO E SEM MEDIDA



PARA PODER ALI MORAR



BARRO E PEDRA SOBRE PEDRA



EMBOLADA E QUEBRA –QUEBRA



D COCO PRO CHÃO APILAR.



 



E JÁ SENTINDO AQUI SEGURO



DAQUELE CONFLITO DE GUERRA



ESTAVA TUDO HABITADO



OS QUATRO CANTOS DESSA SERRA



SE ESTE É NOSSO LAR



NINGUÉM VINHA ENFRENTAR



ENCONTRAR A NOSSA TERRA.



 



DURA VIDA NO QUILOMBO



A CONQUISTA DO SOSSEGO



UMA VIDA ISOLADA



SÓ SAINDO PARA O EMPREGO



TRABALHANDO SOL A SOL



REGANDO TERRA A SUOR



MEU SOFRIDO POVO NEGRO.



 



E TUDO FICO PARA TRÁS



NESSA TERRA TÃO DISTANTE



MENTES PROVIDAS DE MEDO



SEM OURO SEM DIAMANTE



AQUI BEM LONGE DOS SEUS



POR NÓS APENAS DEUS



E UMA PAZ OSCILANTE.



ASSIM BEM ORGANIZADO



A POPULAÇÃO CRESCENDO



NUMA VIDA BEM PRECÁRIA



JÁ OS MAIS VELHOS MORRENDO



COM ELES ENTERRAVAM SEGREDO



DE UM PASSADO DE MEDO



NA MEMÓRIA SE PERDENDO.



 



ENTÃO NO SÉCULO PASSADO



NO ANO DE VINTE E SEIS



O MAL DA PESTE BULBÔNICA



QUASE DIZIMOU DE UMA VEZ



ESSE NOVO SOFRIMENTO



O POVO DO LIVRAMENTO



REFEM DA FEBRE SE FEZ.



 



MORRERAM OS ASCENDENTES



SEM TER DE QUEM SE VALER



A CULTURA E OS COSTUMES



MUITOS CHEGANDO A ESQUECER



OS FATOS TÃO INCRÍVEIS



MAS A DANÇA INESQUECÍVEL



NO LUGAR PODEMOS TER.



 



PORÉM AINDA RESTA



MUITOS AFRODESCENDENTES



CONTRIBUINDO AO QUILOMBO



COM TRABALHO INTELIGENTE



AQUI A LEI É O LABOR



RODA DE COCO E A COR



DOS NOSSOS REMANESCENTES.



OS FRADES DE PIANCÓ



CHEGARAM A CATEQUIZAR



RENOVANDO A RELIGIÃO



PARA O DEUS DO CÉU CULTUAR



E VIVER CIVILIZADO



COM BRANCOS ORGANIZADOS



PARA VENDER E COMPRAR.



 



CINZEIRO E CALUGI



SEUS NOMES PRIMEIRAMENTE



E NAQUELA NOVA VIDA



UMA PAZ ADOLESCENTE



E TITULO DE LIBERDADE



JÁ EXCETO DE SAUDADE



LIVRAMENTO SIMPLESMENTE.



 



O LUGAR BEM CONHECIDO



PELA REGIÃO ADENTRO



NA SERRA DA BORBOREMA



SUA FAMA AO DESALENTO



COM TRISTEZA INTITULADO



CAÇHACEIRO E AMUNDIÇADO



FERINDO SEU LIVRAMENTO.



 



POR CAUSA DESSES APELIDOS



QUE O RACISTA NOS DAVA



DIZIA QUE NEGRO ERA O CÃO



SE BENZIA E SE ABISMAVA



DE UM CRUEL PRECONCEITO



MISTURAR NAO TINHA JEITO



NOSSA GENTE SE ISOLAVA.



PELE NEGRA E LÁBIOS GROSSOS



OLHOS VERMELHOS EM BRASA



PÉ CHATOS, CABELOS CRESPOS



NA CABEÇA ATÉ GRUDAVA



MAS EM TODA REGIÃO



NA HORA DA PRECISÃO



PARA TRABALHAR NÃO SE NEGAVA.



 



DO NASCER AO POR DO SOL



LÁ NA ROÇA DOS “CABOCLOS”



MENTE AINDA ESCRAVIZADA



TRABALHAVAM FEITO LOUCOS



A SERVIDÃO ERA HERANÇA



EM TROCA DE CONFIANÇA



O PAGAMENTO ERA POUCO.



 



JUNTAVA UMA BATALHA



SEM RECEBER CONTO FURADO



EM PATOS DE IRERÊ



OU ONDE HOUVESSE UM CHAMADO



APENAS PELO ALIMENTO



ENFRENTAVAM SOL E VENTO



NO PRAZEROSO ROÇADO.



 



AS MULHERES IAM TAMBEM



IGUAL AOS HOMENS TRABALHAVAM



SENDO ALEGRES E ESPERTAS



TODO MUNDO SE ADMIRAVA



FUMAVAM, BEBIAM CACHAÇA



MOSTRANDO O CALOR DA RAÇA



IGUAIS A ONÇA BRIGAVAM.



SEM DIREITO A PARTICIPAR



DE QUALQUER ACONTECIMENTO



QUE HOUVESSE NOUTRO LUGAR



ERAM PRIVADOS DO MOMENTO



DISPENSAVAM FOICE E CORDA



PISAVAM COCO DE RODA



CRIANDO UM PRÓPRIO EVENTO.



 



ESSA DANÇA MANIFESTAVA



TRISTEZA E ALEGRIA



REATAVA A VIVÊNCIA



NO MOTE E NA MELODIA



TIMIDEZ ERA BESTEIRA



PULAVAM A NOITE INTEIRA



ATÉ AMANHECER O DIA.



 



O COCO DE UMBIGADA



DO COMEÇO PARA O FIM



CANTADOR DE EMBOLADA



ZABUMBA DE TAMBORIM



PARA AFUNDAR OCHÃO



SE OS HOMENS CANÇAM ENTÃO



AS MULHERES DANÇAM SILIM.



 



PARA COMPLETAR A FARRA



TOMAVA UMA AGUARDENTE



QUE ERA PARA ESQUENTAR



CURAVA ATÉ DOR DE DENTE



TINHAM TANTAS QUALIDADES



PROVENDO NECESSIDADES



DE UM JEITO BEM DIFERENTE.



A TRADIÇÃO E CULTURA



MANTENDO SEM FAZER POUCO



TODO FINAL DE SEMANA



CANTANDO DE FICAR ROUCO



UNIDO PELA ALEGRIA



DENTRO DA MESMA HARMONIA



PISAVAM NA RODA DE COCO.



 



UMA CANÇÃO DE EMBOLADA



QUE AINDA VIVEMOS A CANTAR



É A SAGA DE UMA NEGRA



QUE SE CHAMAVA IAIÁ



PELA ÁGUA FOI LEVADA



SEM TEMPO DE SER AJUDADA



QUANDO FUGIA PRA CÁ.



 



TODO MUNDO A ESPERANDO



QUANDO A NOTÍCIA CHEGOU



PRAEIRA UM NEGRO FORTE



JUNTO COM OS BANZOS CHOROU



AO CONTAR O SOFRIMENTO



AS DORES E O TORMENTO



QUE A LINDA MOÇA PASSOU.



 



QUE ELA VINHA ALEGRAR



O COCO E CUTILADA



NO PERCURSO DE SUA FUGA



VEIO UMA ENXURRADA



SEM TER COMO SE SALVAR



LEVOU A NEGRA AIA



A MUSA TÃO ESPERADA.



 



CONSTÂNCIA E COMPANHEIRAS



VENDO A TURMA SEM AÇÃO



AMBROSIANO E MARIA ONÇA



CRIARAM UMA CANÇÃO



E O POVO SE CONSOLOU



NO COCO COM EMOÇÃO



 



‘EU VI IAIÁ CHORANDO



CHORANDO EU IAIÁ



OH MINHA BELEZINHA



BELEZINHA VENHA CÁ



EU FAÇO QUE TÔ TE AMANDO



QUE TÔ TE AMANDO



E VOU TE AMAR.



 



ERA DE SE ADMIRAR



A VIDA QUE ELES LEVAVAM



SUAS ROUPAS ERAM ESTOPA



TIRANDO QUANDO RASGAVA



A VIDA ERA TÃO SOVINA



FALTAVA ATÉ LAMPARINA



MAS O MURRÃO SE USAVA.



 



PISAVA BEM A MAMONA



JUNTANDO AO ALGODÃO



COLOCAVA EM UM CACO



E NO MEIO DA ESCURIDÃO



QUANDO  A NOITE APARECIA



AÍ ALGUÉM ACENDIA



O ESQUISITO MURRÃO.



TAMBÉM ERA COSTUME



QUANDO HAVIA OCORRÊNCIA



SE AQUI ALGUÉM MORRIA



JÁ SE TINHA EXPERIÊNCIA



COM UMAS VOZES MELOSAS



AGUDAS E PIEDOSAS



CANTAVA A INCELÉNCIA.



 



PARA MENINO PAGÃO



CRIANÇAS, HOMEM E MULHER



SE ERA MOÇA OU RAPAZ



NO IMPROVISO QUALQUER



VELAVAM COM PACIÊNCIA



PRA QUEM RIA, ADVERTÊNCIA



E A NOITE INTEIRA O CAFÉ.



 



TAMBÉM CHEGOU POR AQUI



MANIFESTAÇÃO DE FÉ



NO MÊS DE MARÇO ENCOSTAVA



GENTE DE CAVALO E A PÉ



O VELHO CHICO SIMPLICIOS



UM QUILOMBOLA DE OFÍCIO



REZAVA PRA SÃO JOSÉ.



 



AINDA NÃO TINHA A CAPELA



PARA O RELIGIOSO EVENTO



NUMA GRANDE CASA DE PEDRA



A MAIOR DO LIVRAMENTO



NOVENA ACONTECIA



DE TUDO ALI SE VIA



ATÉ MISSA E SACRAMENTO.



FOI NO ANO DE QUARENTA



QUE SE DEU A CONSTRUÇÃO



CAPELA DE SÃO JOSÉ



O PATRONO DA REGIÃO



FERVOR E MUITA CORAGEM



ENTRONIZAÇÃO DA IMAGEM



UMA BELA DEVOÇÃO.



 



A IMAGEM DE MADEIRA



COM JESUS MENINO NOS BRAÇOS



AINDA HOMENAGEADO



EM DEZENOVE DE MARÇO



TANTA FÉ E EMOÇÃO



ALEGRIA E DEVOÇÃO



JUNTO NO MESMO ENLAÇO.



 



E DEPOIS DO OFÍCIO



TINHA COCO PRA DANÇAR



BAGUNÇA A GENTE NÃO VIA



NEM UM LOUCO PRA CRIAR



SE NÃO IA PRO AFAGO



DA CHIBATA DE ZÉ GAGO



O AVÔ DE ZÉ PIÁ.



 



EM DIAS DE PISAR COCO



A FARRA ERA DANADA



DANÇAVA HOMEM E MULHER



E TAMBÉM A GAROTADA



QUEM CHEGASSE ERA ACOLHIDO



MAS CABRA ATREVIDO



ENTRAVA NA CHICOTADA.



JOSÉ  GAGO MUITO FORTE



ERA LÍDER AFAMADO



E QUEM SAÍSSE DA LINHA



NÃO PRECISAVA SOLDADO



DOMINAVA QUEM QUERIA



PARA QUEM NÃO OBEDECIA



IA NO TRONCO CASTIGADO.



 



O CALÇADO DE ZÉ GAGO



NÃO SE ENCONTRAVA NA VENDA



SUA ALPERCATA ERA FEITA



SOBRE ORDEM DE ENCOMENDA



OU ENTÃO ANDAVA DESCALÇO



MAS DEBAIXO DO SEU BRAÇO



NINGUÉM FAZIA CONTENDA.



 



NO QUILOMBO EXISTIA



AS RENOMADAS PARTEIRAS



ARTESÃO QUE FAZ PANELA



E CONSTRUTOR DE PRIMEIRA



CARPINTEIRO CURADOR



LOUCEIRO E AGRICULTOR



E A NEGRA BENZEDEIRA.



 



MÃE PRETA DE PINHA SECA



PARTEIRA DE PROFISSÃO



BEBIA E FUMAVA CACHIMBO



IA PARA TODA REGIÃO



PREVIA O QUE ACONTECERIA



QUANDO A CRIANÇA NASCIA



ATRAVÉS DE UMA ORAÇÃO.



BIRÔ DE ANGELINO



PAI DE LAIA CACHACEIRO



COM LOIA NA CASA DE PEDRA



FAZIAM TUDO LIGEIRO



TRABALHANDO NO ENREDO



O PRUMO ERA SEU DEDO



NO OFÍCIO DE PEDREIRO.



 



TINHA SEU ZÉ AGOSTINO



ARTESÃO DE CAÇUÁ



E LUIZÃO DESDE MENINO



GOSTAVA DE CELEBRAR



DESCALÇO PISAVA EM BRASA



NA FOGUEIRA DE SUA CASA



SEM ACHEGAR A SE QUEIMAR.



 



GOSTAVA DE DANÇAR COCO



AMBROSIA, CASSIANO



FLORENTINA BOLA, FRANÇA



E ROSA MARÇÁ CANTANDO



ELIAS QUINA, MARCELINO



JOAQUIM GAGO, TRANQUILINO



BONS NA ZABUMBA TOCANDO.



 



ZÉ PEQUENO, TONHE BARROSO



ZACARIAS E TONHELO



JOÃO PULA E ZÉ BOLINHA



ZÉ BOLA E AUGUSTO BELO



TUZINHO, GERALDA E DITINHA



FRANÇA, NÊGA E ROSINHA



ZÉ FIIN COM PARABELO.



 



CHICOLA, DORA, ZÉ PEDRO



ZÉ DE ROSA NA EMBOLADA



ZÉ CONSTÂNCIA NO PANDEIRO



ERA GRANDE A CACHAÇADA



PETRONILA, MARIA ONÇA



DANÇAVAM E DAVAM GAITADA.



 



VINO PEREIRA NA SANFONA



E NO PANDEIRO GUIÁ



ROSA MARÇÁ, ZÉ BOA



ZÉ PRAIEIRA E ZÉ PIÁ



MARGARIDA, MULHERZINHA



EDITE, ATONHA E LOURDINHA



TAMBEM GOSTAVAM DE PISAR.



 



PARA ROUPA E MORTALHA



GERALDA DE PRONTIDÃO



COM A GARGANTA AFINADA



E A TESOURA NA MÃO



NA HORA QUE COSTURAVA



UMA MEIOTA REGAVA



A SUA BELA MISSÃO.



 



LIVRAMENTO CONHECIDO



SUA CULTURA ADMIRADA



O GRUPO “ESQUENTA MUIÉ”



DO SILIM E EMBOLADA



PARA VIVER MENOS AMARGO



NO GRUPO DO VEIO ZÉ GAGO



O CHEFE DA CUTILADA.



TABEM HAVIA UMA MUHER



COM SEU PERFUME DE FLORES



ENCANTAVA TODO MUNDO



CONQUISTANDO ALGUNS AMORES



DENTRE TODAS A MAIS BELA



VOU DIZER O NOME DELA



ERA CHAMADA DASDORES.



 



FILHA DE MARIA GROSSA



NO LUGAR A FAMOSINHA



MEXIA COM TODO HOMEM



NAO RESAVA A LADAINHA



SE PARA ELA OLHAVAM



FICAVAM LOUCOS E BRIGAVAM



POR UM CHEIRO DE DORINHA.



 



CAZUZA PERDEU UM AMIGO



COMEÇARAM UMA INTRIGA



O MOTIVO FOI DAS DORES



OS DOIS ENTRARAM NA BRIGA



NUMA NOITE DE APERREIO



EM MEIO AO UM TIROTEIO



FERIRAM BRAÇO E BARRIGA.



 



FIINHO UM, OUTRO CAZUZA



ERAM VALENTES E METIDOS



QUERIAM COMANDAR



O LIVRAMENTO QUERIDO



MAS NÃO TINHA NEM COMPROMISSO



ZÉ GAGO SABENDO DISSO



FICOU MUITO ENTRISTECIDO.



COM ELES A ARMA DE FOGO



DOMINAVA O UGAR



ZÉ GAGO JÁ ACAMADO



NEM PODIA MAIS FALAR



UMA GERAÇÃO DE VIOLENTO



FEZ UMA VEZ LIVRAMENTO



AOS POUCOS SE ACABAR.



 



ESSES DOIS CAMARADAS



CONHECERAM O HORROR



NA NOITE QUE UM FOI MORTO



O FILHO VINGOU A DOR



O POVO CHEIO DE ASSOMBRO



AGORA VIVER NO QUILOMBO



ERA VIVER  NO TERROR.



 



DEPOIS DISSO O AZAR



GANHOU O LUGAR DA SORTE



AUMENTANDO O PRECONCEITO



SUJANDO A IMAGEM FORTE



NOSSA GENTE AMEAÇADA



E FESTA QUI CAMARADA



ERA SINÔNIMO DE MORTE.



 



E O TEMPO FOI PASSANDO



VIOLÊNCIA SE REPETINDO



POR CAUSA DA SECA TAMBEM



NOSSO ÇPOVO FOI SAINDO



MUDANDO A REALIDADE



PARA SÃO PAULO OU PRA CIDADE



ESTAVAM SE DESPEDINDO.



ATE NO MEIO A CULTURA



TAMBEM FOI QUASE ESQUECIDA



TAMBEM COM A MODERNIDADE



QUE ERA MAIS DIVERTIDA



MUITA COISA SE PERDEU



MAS SOMENTE NÃO MORREU



POR ESTÁ NO SANGUE E NA VIDA.



 



A TRADIÇÃO POR UM FIO



TECNOLOGIA A FRENTE



QUILOMBOLAS CORTANDO CANA



NUM ESTADO DIFERENTE



TRABALHO ESCRAVO ACABOU



OU ENTAO SE ESTILIZOU



NA VIDA DO REMANESCENTE.



 



O QUILOMBO É ETERNO



NESTE CENÁRIO ISOLADO



NOSSO POVO TÃO QUERIDO



MAS É CERTO O PALAVREADO



DE DONA ROSA PEREIRA



E MARIA MAÇÁ REZADEIRA:



HOJE TÁ TUDO MUDADO.



 



LEITOR EU CRIEI ESSE CORDEL



COM A HISTÓRIA QUE OUVIR



DO MEU AVÔ MANOEL ROSENO



QUE TAMBEM ERA DAQUI



SOU MESTIÇA NA APARÊNCIA



E DE NEGRA A DESCENDÊNCIA



DO LUGAR ONDE VIVI.



LÚCIA



 



 



 



 



 



 



 



 



 



 



 



 



 



 



 


Publicado por LúciaSilva
em 21/11/2021 às 13h58